Quatro meses antes...
"Acordei no meio da madrugada, olhei para o lado, o relogio despertador que estava em cima do criado mudo marcava 2:55 hs.
Levantei e fui até o banheiro, não havia nada de anormal, era apenas mais uma noite como qualquer outra. Papai não havia dormido em casa, ele estava numa viagem de trabalho da empresa. E a casa estava silenciosa, estava tudo bem.
Quando sai do banheiro, um barulho de batidas pesadas que vinham do quarto onde minha mãe dormia chamou a minha atenção. Eu caminhei pelo corredor escuro e silencioso, em direção a ultima porta, abri devagar e passei os olhos rapidamente pelo quarto, só para ter certeza que não estava acontecendo nada. O que mais me surpreendeu foi que não havia ninguém lá. Quando me aproximei da cama vazia e desarrumada, e chamei pelo seu nome, ninguém respondeu, o silencio ainda dominava todo o ambiente. A cama estava desarrumada e as janelas trancadas por dentro, conclui que ela deveria estar em qualquer outro lugar da casa, e quando me preparava para sair..."
-- Click, harrp... -- O barulho da maquina de escrever imperrando, fez com que parasse o depoimento por alguns segundos. Meu advogado esta sentado ao meu lado, e me olha apreensivamente.
-- Perdão. Continue. -- Disse o escrivão do delegado, fazendo sinal para que eu continuasse com o depoimento.
Continuei de onde parei...
"Foi quando me punha a sair do quarto, e algo pingou em cima do meu ombro direito, olhei para a mancha vermelha em cima da minha camisa branca e tive medo de olhar para cima, mas eu olhei. Ela não estava em qualquer outro lugar da casa, estava lá em cima, presa ao teto do quarto, como se fosse o unico corpo da terra que não sofresse a ação da gravidade, ao mesmo tempo em que parecia levitar com os cabelos balançando ao vento, tambem era como se houvesse sido pregada alí. O sangue escorria de seu nariz e boca e eu não soube o que fazer. Lembro-me apenas de quando disse fazendo uma enorme força para puxar a voz de dentro de si mesma..."
-- Corra.
E no mesmo instante em que disse isso, seu corpo inteiro se transformou em chamas vivas. O clarão quente foi tão forte que sua força me empurrou para tras me fazendo cair no chão. Só me lembro de olha-la ser deformada e consumida pelo fogo até não conseguir reconhecer mais seu rosto, em seguida me lembro de obedecer e sair correndo desesperadamente daquele lugar."
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